Não resta dúvida que a obesidade vem aumentando de forma epidêmica. As causas? Bem, já cansamos de ouvir: a indústria do fast-food, o maior número de horas em frente à TV, a diminuição do trabalho braçal na vida moderna (elevadores, carros, transporte público, controle remoto, etc.). Enfim, uma consequência da urbanização e da afluência das sociedades. Só há um problema: epidemiologicamente, a obesidade está associada com a pobreza, e não com a prosperidade. No mundo todo é assim. Os grupos/etnias menos favorecidos, aqueles que fazem mais trabalho braçal, andam a pé até o local de trabalho ou a parada de ônibus, e tem menos dinheiro para comprar comida, são sistematicamente mais afetados pela obesidade do que os mais afluentes. Parece um paradoxo, mas é um paradoxo apenas dentro do contexto do paradigma errado (o de que o balanço calórico positivo é a causa do problema).
O livro “Why we get fat” (ver postagem anterior) é rico em exemplos de populações paupérrimas, com dietas de mera subsistência, nas quais as pessoas (muitas submetidas diariamente a trabalho braçal pesado na lavoura) tem índices de obesidade que superam 40 a 50% da população.